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Abril 26, 2005
semdomínio.com
tem coisas na vida que ficam assim
infernizando
tirando a paz
normalmente tem mulher envolvida
normalmente tem desejo no meio
e muitas vezes dá confusão!
Mas o que seria de nós, sonhadores
se não fosse a possibilidade de certas felicidades
mesmo que transgressoras
mesmo que clandestinas...
tem momentos na vida que não merecem negativas
eles são sim dignos de toda nossa permissão
do nosso tempo que é parte de nós
da nossa vida
que quase nunca controlamos
em nome do destino
em prol das místicas explicações
E o que seria de nós, inocentes
sem essas coisas que não podemos entender
encontros
armadilhas...
tem horas na vida que se perde mesmo o controle
não se tem mais noção dos limites
e lá se vão anos de terapia...
Nesses dias todo nosso poder
se reduz a zero
termina a dominação
e lá se vai nossa vã autoridade
sobre nossos quereres
E só nos resta o gozo e a festa
Então vambora vadiar!!!!

cris:
19:23
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Abril 18, 2005
Segunda-feira
Deixei pra trás um monte
de coisas
de mal-entendidos
de compreensões
de caixas cheias de passados
de livros e suas traças
de palavras mudas
em mim
em você
Deixei você!
E olha que demorou
pra cair a ficha do desamor
do buraco em que nos metemos por amor....
Não sei se rio ou se saio do Rio
vou pra serra
tomar um porre de cidra vagabunda
ou vou pra praia
me empapuçar de água de coco com cachaça
até queimar o fígado
e usar enfim meu plano de saúde caríssimo!
Nossa...
Deixei pra trás um monte
de roupa pra lavar
de poeira
de cinza do teu cigarro fedorento
e deixei também um bocado
de raiva
de descontentamento
isso eu não ia levar
incinera
é perigoso...

cris:
17:46
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Abril 7, 2005
Dançadeira
Indecente
aquele vestido amarelo dela
e pra piorar ela dançava bem à beça
e me virava a cabeça
e eu olhava suas pernas
seus quadris
seu jeito febril
de expressar prazer
suava que escorria
sorria que enfeitiçava
o corpo dela todo colorido
as mãos na cintura
e cantarolava
enquanto me olhava
e me fazia querer
rodar
girar
sentir
o som vibrar na pele
e eu adorava
aquele vestido amarelo
indecente dela
mas não sabia
dançar...
tela: alfredo lopes
cris:
19:15
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Abril 6, 2005
Desterro
Tem tempo
que tenho tentado
estar em estado
alienado
Tem dias então
que luto contra
a maré da informação global
para não mais saber
da sina
da chacina
do rombo
das intolerâncias
dos desmandos
das crianças abandonadas
das mulheres surradas
dos homens perdidos
Desvio meus olhos
do cinismo
da hipocrisia
do estupro
do roubo
da facada
do brilho da coca
do cheiro da cola
do sangue no chão
Alheio-me
do meu país sem justiça
do meu país de injustiças
Afasto meu coração tão dolorido
de mais dor
busco cor
e qualquer coisa que rime...
Por tanto tempo lutei
carreguei bandeiras
perdi amigos
e mesmo assim ainda
tinha sonhos e esperanças
e agora procuro em mim
estes desencontros
onde deixei escorregar meus desejos?
onde larguei minhas expectativas?
onde em mim escondi minha solidariedade?
meu civismo?
Tenho tentado
ficar num lugar protegido
hermético
por não querer acreditar
que seja assim
tudo tão sem direção
eu tento
mas não tenho conseguido...
foto: tereza maia
cris:
13:56
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